segunda-feira, 22 de junho de 2020

A ANSIEDADE PODE SER POSITIVA

A ansiedade parece ser a grande vilã da vez, tudo é culpa da ansiedade. Mas já parou para pensar que um pouco de ansiedade é normal?
A ansiedade pode ser uma coisa boa, pois nos protege dos perigos iminentes e coloca nosso corpo em alerta nos permitindo criar novos caminhos quando algo parece difícil e insolúvel, e muitas vezes estes problemas são resolvidos diante de uma situação de alerta que pede uma solução rápida. Além disso, é normal ficar ansioso quando algo muito especial irá acontecer em sua vida, como uma prova, uma entrevista de emprego, participar do vestibular, ir para  uma viagem, ou participar de um evento especial como casamento, aniversário, ou qualquer coisa que não seja comum e rotineira, irá gerar ansiedade naturalmente, pois sempre vivemos antecipadamente os acontecimentos que estamos esperando. Este é o tipo de ansiedade considerado normal e faz parte da vida de todos nós.
Mas, ocorre que até para estes eventos especiais, há um limite de normalidade, que deve ser observado, ou seja, o exagero e o excesso de qualquer sentimento pode levar a um transtorno, e neste caso, a falta de controle destes sentimentos dentro de um padrão que não prejudique seu organismo, seja por criar uma especie de euforia exagerada, ou paralisar-se diante de um evento de sua responsabilidade, como o de uma palestra que tenha que realizar, e não segue ir em frente, por exemplo chegando a ter sentimentos de somatização, que seria a geração de sintomas físicos a partir de uma condição psicológica, que neste caso seria a ansiedade, interferindo de forma negativa, podendo transformar-se  desde o TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo, ou às fobias como a de pânico, de altura, de insetos, ansiedade generalizadas, entre outros tipos.
Mas aquele nervosismo, o friozinho na barriga, é muito comum quando há aquele evento que vai realizar, seja a apresentação do TCC da faculdade, ou mesmo de um trabalho escolar, ou aquela apresentação do trabalho. Sempre haverá várias questões em mente: Será que ficou bom? Serei aprovado? Os outros serão melhores que o meu?... Estes pensamentos vão perseguindo a pessoa até a concretização do evento, gerados pela insegurança que dependendo da intensidade, não necessariamente é patológica. Mas é importante começar identificando o que está gerando estes sentimentos de desconforto, seria uma cobrança absoluta por perfeição? Seria por falta de empenho necessário, ou confiança em si mesmo? E assim vai se desmistificando o problema. E nestes casos o melhor conselho é relaxar, mas isso não significa se acomodar. A palavra relaxar pode ter duplo sentido, mas neste caso significa tranquilizar-se, para permitir que sua mente trabalhe com maior confiança, e a cada situação em que se sentir muito desconfortável a ponto de acreditar não estar bem, a meditação e a reflexão podem ajudar muito para encarar estas situações.

HISTÓRIA DA ANSIEDADE
Para ilustrar melhor que a ansiedade pode ser parceira, podemos dizer que foi graças a ela que a humanidade se manteve viva e pode se desenvolver, foi a sensação de insegurança que criou o homem moderno.
Na era paleolítica, entre os grupos de caçadores e coletores, haviam ameaças constante de ataques de predadores e inimigos, fazendo com que o sentimento de alerta sempre estivesse presente no dia a dia das pessoas daquela época.
Esta mesma ansiedade levou nossos antepassados a buscar por abrigo, a prover alimentos e proteção dos predadores e inimigos e do tempo, formando as primeiras sociedades. Nestas sociedades as incertezas de chuvas e secas eram uma constante e devido a ansiedade pelo receio de não ter chuvas suficientes para o plantio e sua colheita, este sentimento levou as pessoas desta era a criarem sistemas de irrigação e armazenagem de água, alem da descoberta do fogo para aquecer e cozinhar seus alimentos, e desta forma sua sobrevivência foi possível.
Já na era dos estados modernos, viam uns aos outros como rivais, o que gerou muitas guerras entre eles, e sempre a ansiedade esteve presente, seja para criar novos exércitos para defesa e ataque, seja para criar alianças com outros, mostrando que o planejamento e a estratégia fazem parte do impulso resultado da ansiedade.
E assim, com estes exemplos, podemos dizer que a história da humanidade é a história da ansiedade, ou seja convivemos com ela desde sempre e por este motivo não podemos dizer que ela seja sempre  uma vilã em nossas vidas, muito embora nos tempos atuais muitas vezes deixamos que ela nos domine, e é por isso que há necessidade de manter o controle, e caso isso não seja possível, buscar um tratamento adequado para obtê-lo, pois muitas vezes esta ansiedade é gerada pela impulsividade do desejo de chegar antes no futuro, sem viver o presente, não permitindo desenvolver a capacidade de criar de acordo com o que é planejado para o futuro, como fizeram nossos ancestrais. 

COMO NOSSO ORGANISMO REAGE EM UMA SITUAÇÃO DE ANSIEDADE

Quando há uma situação de ansiedade o corpo se comporta  como se estivesse em perigo iminente:

CÉREBRO: Uma área do cérebro chamada eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), libera componentes químicos como a dopamina, norepinefrina e epinefrina. Eles ativam a amígdala cerebral disparando o estímulo de luta e fuga;
GARGANTA: Espasmos nos músculos da garganta fecham o esôfago, e dificultam engolir a saliva - humanos em perigo prendem a respiração;
MÚSCULOS: Os grandes grupos de músculos recebem atenção especial do cérebro e do sistema neurológico, fazendo-os enrijecer para que estejam prontos a serem usados, caso necessário;
FÍGADO: O sistema suprarrenal produz uma quantidade excessiva de cortizol, esse hormônio leva o fígado a produzir mais glucose, o açúcar sanguíneo que faz obter mais energia;
CABEÇA: O sangue do tecido epidérmico é desviado para o coração e músculos, para diminuir a perda em caso de ferimento, os poros do coro cabeludo se contraem e fazem ter a sensação de cabelo em pé;
SUOR FRIO: Assim como a sensação de cabelo em pé, a diminuição de sangue na pele faz ter a sensação de suar frio;
BOCA: fica seca, os fluidos são desviados para auxiliar a circulação sanguínea e os tecidos musculares;
BAÇO: passa a distribuir mais oxigênio pelo corpo, fazendo o fluxo sanguíneo aumentar, aumentando também os batimentos cardíacos.

Nosso organismo trabalha em perfeita sintonia, mas é importante avaliar se está tudo sob controle fim de evitar o comprometimento de nossos órgãos com sobrecarga das funções metabólicas, e como pudemos observar o constante grau auto de ansiedade traz sensações inesperadas, como aceleração dos batimentos cardíacos para aumentar o fluxo sanguíneo exigido pelo corpo. Por isso a importância de tratar  ansiedade de forma adequada, neste caso, avaliar qual a periodicidade em que as crises acontecem e em quais situações.

A ansiedade não patológica deve ser sempre observada e percebida, mantendo a paciência e o controle, pois em níveis normais a ansiedade permite traçar planos alternativos e nos cercar de cuidados para que tudo saia bem, mesmo diante de imprevistos, como já informado acima.
A questão não é  ideia de deixar de sentir ansiedade, mas sim mantê-la em níveis mais moderados e saber quais respostas positivas ela pode fornecer em sua vida e assim permitir que continue a evolução do ser humano como já vimos em nossa história.


FONTE:
https://super.abril.com.br/saude/uma-breve-historia-da-ansiedade/

segunda-feira, 1 de junho de 2020

TRANSTORNO OU DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM???

Como entender essa diferença? E como descobrir se seu filho, aluno conhecido ou você mesmo está com algum tipo de transtorno ou dificuldade de aprendizagem?

Estas e outras questões estaremos abordando aqui hoje no blog.

Como é difícil lidar com questões escolares das nossas crianças. Porquê muitos parecem tão inteligentes mas vão tão mal nas provas, enquanto outros que nem estudam só tiram notas boas? Muitas destas perguntas vários pais já se fizeram: Será que meu filho tem algum problema? A resposta é: Pode ser que sim e pode ser que não, ou seja, é importante entender o que pode levar as crianças terem algum problema de aprendizagem. A comparação nunca foi uma boa aliada e conselheira, pois somos diferentes e vivemos em ambientes diferentes. A genética pode ajudar a entender nossos filhos, mas o ambiente tem uma forte relação com o comportamento e as dificuldade de cada pessoa, incluindo as crianças.
O desejo de muitos pais é que seus filhos sejam os melhores alunos, mas não é a maioria das crianças que conseguem absorver as informações com facilidade, e não significa que estas crianças possuem algum deficit intelectual, o que acontece é que muitas vezes as crianças sentem-se entediadas em ficar muitas horas dentro da sala de aula tendo que focar em alguém falando lá na frente, fazendo atividades por uma boa parte de seu dia.
Um dos fatores das crianças sentirem-se mais entediadas do que antigamente é que hoje em dia o volume de atividades atribuídas no dia a dia delas é muito grande, e quando precisam ficar quietas prestando atenção, isso incomoda.
Crianças hiperativas, agitadas tem maior dificuldade ainda, e atualmente vemos muitos casos sendo diagnosticas como TDAH - Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade, um dos mais conhecidos transtornos de aprendizagem.
Mas antes de entrarmos neste tema, vamos diferenciar o que seria um transtorno e uma dificuldade de aprendizagem.

DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM: O termo dificuldade de aprendizagem é usado para descrever dificuldades específicas para adquirir habilidades acadêmicas básicas, ou seja , a criança não consegue acompanhar o ritmo da sala, e nestes casos vale salientar que as causas estão muito mais relacionadas aos fatores externos (ambientais), e não possuem natureza orgânica ou biológica.
Geralmente, ao serem investigadas, são encontrados vários fatores emocionais associados às dificuldades, como conflitos familiares, perdas importantes, separação, mudanças, etc...
Normalmente é indicado tratamento psicológico.


TRANSTORNO DE APRENDIZAGEM: Já o transtorno de aprendizagem pode estar associado a fatores relacionados a condições neurológicas que afetam a aprendizagem e o processamento das informações.
Dentro dos aspectos de transtornos de aprendizagem, vamos encontrar vários tipos que podem ou não estar associados uns com os outros.
Este termo vai descrever as dificuldades mais específicas de aprendizagem quando observado com maior profundidade.
Ocorre que os transtornos de aprendizagem também podem estar associados com questões emocionais que vão desencadear dificuldades que não são neurobiológicas, por isso devem ser tratadas de forma adequada e multidisciplinar, ou seja junto com a escola, com os pais, com um medico especializado, com um psicopedagogo, com um fonoaudiólogo e com um psicoterapeuta. Estes serão os principais protagonistas para o diagnóstico.
Parece assustador, mas sim é necessário, pois é no momento do desenvolvimento infantil que o cérebro será mais capaz de  fazer mudanças necessárias dentro do que chamamos de plasticidade cerebral, e permitirá efetivar as correções necessárias, para a solução do problema, não que seja impossível na idade adulta, mas sempre será mais difícil.


Tipos de transtornos, um breve histórico:

DISLEXIA: É caracterizada pela dificuldade  na fluência da leitura por uma dificuldade na habilidade de tradução dos sons em letras e das letras em sons, que resultam em dificuldade de linguagem. As crianças não entendem bem como cada palavra é formada, como é dividida por partes menores, como os sons, as sílabas e como podem manipular esses sons. Crianças com dislexia geralmente trocam as letras ao escrever, por exemplo "t" por "d ou "f" por "v", devido a estas dificuldades em decifrar os sons de forma adequada.

DISCALCULIA: Trata-se de dificuldades especifica para cálculos matemáticos e raciocínio lógico. Quem tem discalculia tem muita dificuldade para entender a quantidade das coisas, e por isso muita dificuldade para entender números e o que eles representam.
Na escola, quem tem discalculia tem muita dificuldade em aprender tabuada, contas simples (adição, subtração e multiplicação), dificuldade para resolver problemas matemáticos, prejuízo na memorização de funções matemáticas, dificuldades com vocabulários relacionados a  matemática, problemas para medir coisas, entre outros. Nos adultos, podem ser observados dificuldades para estimar custos ao fazer compras e aprender conceitos matemáticos mais complexos, possuem menor habilidade no gerenciamento financeiro, dificuldades em calcular o tempo e organizar suas tarefas, dificuldade em cálculos mentais,entre outros...

DISGRAFIA: É um distúrbio que afeta a expressão da escrita prejudicando a sua clareza ou organização. Estas pessoas tem dificuldades em manter um padrão na letra, mudam a forma e o tamanho que estão escrevendo aleatoriamente na frase, não respeitam margens, ultrapassam a linha, colocam pressão excessiva ou deficitária ao escrever, escrevem de forma invertida (espelhada), a letra muitas vezes é indecifrável.

DISORTOGRAFIA: Afeta a capacidade de escrever corretamente e de expressar ideias através da escrita. Estas pessoas costumam cometer erros como : Escrever frases mal estruturadas, incompletas, com pobreza de vocabulário, falta de elementos essenciais, erros de pontuação, repetição de palavras, erros de concordância, problemas com a gramática, não utilização dos tempos verbais adequados, dificuldades em categorizar, etc...

O tratamento para todos os transtornos acima são efetuados de acordo com cada diagnostico e com a demanda de cada um, porém não há medicação específica, apenas para possíveis comorbidades que estas pessoas possam vir a apresentar. São recomentados acompanhamento fonoaudiológico, psicopedagógico, psicológico (para cuidar das questões emocionais que podem acompanhar estas pessoas), neuropsicológicos (para ajudar na reabilitação da memória e atenção).

TDAH - Transtorno do deficit de Atenção e Hiperatividade: Um dos disgnósticos mais comuns em crianças ultimamente.
Então o que pode significar isto? Muitas crianças e adultos são bem agitados sem que isso seja um problema, mas muitas delas, esta agitação é tão grande que não dá para passar despercebido em um grupo. No caso dos desatentos, da mesma forma, não se pode comparar com uma desatenção corriqueira, trata-se de pessoas que possuem muita dificuldade para ignorar estímulos e se concentrar no que é importante.
Muitas pessoas questionam por qual motivo atualmente muitos diagnósticos de TDAH são descobertos, se é uma doença nova, se há algum exagero, etc... A resposta é não que não se trata de uma patologia nova, e alguns casos são diagnosticados sem o devido cuidado.
Ocorre que antigamente estas crianças não eram percebidas desta forma por não se dar a devida atenção ao problema, e os estudos ainda eram raros sobre o tema. As crianças agitadas eram chamados de espevitados, levados, entre ouros nomes, e as desatentas como desligados, burros, etc...
Geralmente, as crianças com TDAH têm alguém na família com o mesmo diagnostico, porém tratam-se dos adultos que antes não eram percebidos desta forma, e não foram diagnosticados adequdamente e aprenderam a conviver com o problema.

As dificuldades mais frequentes são:

  • Baixo desempenho escolar;
  • Dificuldade para se relacionar com os colegas;
  • Problemas para respeitar regras;
  • Lentidão para aprender conteúdos e realizar tarefas;
  • Dificuldade de organizar e planejar os passos necessários para uma atividade;
  • Dificuldades em enxergar mais de uma solução para um problema;
  • Baixo estado de alerta;
  • Dificuldade para sustentar a atenção por um período mais longo (quando a atividade não é de seu interesse);
  • Não ter medo do perigo, se coloca sempre em risco;
  • Atrapalhado, derrubam as coisas, trombam, caem e tropeçam muito.
Mas o diagnostico não é tão simples como parece, pois há outras patologias similares que devem ser observadas antes, por exemplo, crianças com Distúrbio no Processamento Auditivo Central - DPAC, que é uma dificuldade em processar o que ouve, pelo sistema central, sendo bem simples na explicação, podem não conseguir ter atenção plena, crianças extremamente ansiosas, podem não conseguir ficar quietas e prestarem atenção. Então é necessário buscar ajuda junto a profissionais que possam diagnosticar de forma multidisciplinar, neste caso o médico, o neuropsicólogo, e o fonoaudiólogo serão essenciais para a confirmação.
A dificuldade em diagnosticar um adulto é ainda maior, pois para isto é necessário de informações deste adulto quando criança, tendo em vista que o TDHA não é uma patologia que começa na vida adulta.
O tratamento para TDAH é medicamentoso, com acompanhamento psicológico e/ou neuropsicológico.
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Estes são os principais transtornos de aprendizagem, Aqui tratamos todos de forma resumida, com linguagem simples, e caso conheçam alguém que se enquadrem nestas condições, procure ajuda , pois estas pessoas sofrem muito com suas dificuldades e podem ser ajudadas com o tratamento adequado.


A aceitação e os cuidados devem ser feitos com naturalidade, respeito e união, desta forma ajudarão a se sentirem inseridos na sociedade, pois é comum estas crianças sofrerem "Bullying" escolar, e quando adultos terão dificuldades em se socializar.



quinta-feira, 28 de maio de 2020

O Prazer em comer e os transtornos alimentares

É fato que hoje em dia está mais fácil reconhecer quando uma pessoa possui algum distúrbio alimentar, mas apesar desta  facilidade em identificar o problema devido a maior margem de conhecimento sobre o assunto de forma geral, ainda há muita resistência em se admitir o problema, assim como em iniciar o tratamento. 
As questões relacionadas aos distúrbios alimentares mais conhecidos como a Anorexia, que refere-se às pessoas que começam a restringir o consumo de determinados alimentos por acreditarem que são muito calóricos e fazem engordar, criando uma falsa imagem corporal devido ao distúrbio mental criado a partir desta crença, também a Bulimia tem um destaque e atenção entre as pessoas que estudam os transtornos alimentares, pois essa, por sua vez, se divide em dois momentos, no inicio a compulsão exagerada em comer determinado produto e depois, por se sentir culpado, tende a expurgar o que consumiu.

A questão é que comer satisfaz, sacia, gerando uma sensação de prazer imediato, suprindo uma necessidade que muitas pessoas acreditam não conseguir de outra forma. 
Além disso, também podemos destacar que comer é um ato de defesa instintiva e de sobrevivência bem primitiva, podendo ser observado em todos os animais, sendo assim também é percebido como uma forma da pessoa acreditar que sua sobrevivência depende da alimentação, as vezes exagerada, podendo se relacionar com a compulsão alimentar.
A Compulsão Alimentar é tão importante quanto os demais distúrbios, faz parte desta tríade de transtornos alimentares e refere-se ao fato da pessoa comer muito, de forma exagerada, sem nenhuma tentativa de expurgar os alimentos ingeridos, não há culpa percebida imediatamente. Os compulsivos em alimentos são percebidos como pessoas que comem demasiadamente por questões decorrentes de fatores emocionais relacionados ao estresse e a ansiedade. Trata-se de um problema de saúde pública, pois pode desenvolver obesidade em nível grave, podendo levar até ao óbito, assim como os outros  transtornos.


Mas a necessidade de comer compulsivamente pode estar associada a vários aspectos afetivos e emocionais muito mais amplos do que se imagina, não necessariamente ligado aos fatos e acontecimentos imediatos e presentes, mas sim às questões de personalidade desenvolvidos ao longo da vida da pessoa, geralmente justificados como preenchimento de um vazio inexplicável, que deve ser trabalhado em processos de psicoterapia. 
Vale ressaltar que os distúrbios alimentares fazem parte dos transtornos mentais mais estudados e devem ser tratados com acompanhamento multidisciplinar, ou seja, médicos, nutricionistas e psicólogos, devem fazer parte do processo.
Muitos sabem que comer um docinho traz uma sensação de prazer e felicidade. Esta sensação de prazer e felicidade que se estabelece enquanto se come um doce está diretamente ligada à produção de serotonina, uma substancia responsável por melhorar o humor, causando uma sensação de bem estar devido a facilidade de metabolização destas substancias no organismo.
As questões culturais também devem ser observadas, pois muitos destes distúrbios são desenvolvidos a partir de um padrão de beleza ou de fatores ligados a estética e valores pessoais, sendo importante serem identificados no diagnostico, para o tratamento adequado, pois não basta apenas tentar modificar a forma que a pessoa pensa com relação a comida e adequá-la ao padrão por ela desejado, é necessário entender o porque pensam daquela forma e desejam ser diferentes do que são. Muitas vezes a aceitação de si é o caminho mais saudável, claro que sempre respeitando o equilíbrio e a saúde da pessoa.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

A INTERFERÊNCIA DA ATENÇÃO SOBRE A MEMÓRIA E SUAS CONSEQUANCIAS

A IMPORTÂNCIA DA ATENÇÃO SOBRE O PROCESSO DE MEMORIZAÇÃO

Este foi o tema que abordei na palestra da semana acadêmica do curso de psicologia promovido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie no dia 14/05/2019, onde participaram alunos do curso de psicologia de várias instituições e outros convidados.
E porque falar deste tema? 
No dia a dia percebo que muitas pessoas estão preocupadas com sua memória e acreditam estarem problemas, mas não entendem muito bem o porque e acabam por atribuir todos os problemas de memorização a esta faculdade psíquica que é a memória. Mas nem sempre o problema está no processo de memorização, atualmente nosso dia a dia é muito intenso, fazemos várias coisas simultaneamente, e não damos a devida atenção a tudo o que fazemos, muitas coisas fazemos no automático, sem pensar.
E como tudo isso acontece em nosso cérebro? Como as informações são registradas? Para responder estas e outras questões, vale a pena tratarmos deste tema.
Mas antes de falarmos sobre esta questão, é importante explicar um pouco sobre o que é a neuropsicologia, pois é através desta ciência que estamos descobrindo muito sobre as funções cognitivas, e para aqueles que não conhecem este tema, então vou explicar rapidamente.

neuropsicologia é a área do conhecimento, dentro do campo das neurociências, que trata as relações entre o comportamento e o cérebro, independente de estarem em condições normais ou patológicas, ou seja, seu objetivo é estudar as alterações cognitivas, emocionais e comportamentais decorrentes de algum possível dano nas funções neurológicas e neurobiológicas que não são possíveis  serem identificados em exames de imagens ou exames clínicos convencionais.
Através da avaliação neuropsicológica multidisciplinar, tema já tratado aqui em outra publicação, será possível identificar o perfil cognitivo destes pacientes e assim chegar a um diagnóstico, utilizando-se de instrumentos específicos, análise qualitativa e comportamental, considerando a queixa do paciente e/ou seus familiares e prognóstico médico.
Após a avaliação e o diagnostico concluído, é feito um relatório neuropsicológico com os resultados obtidos e com a conclusão incluindo as recomendações de tratamento, que dependendo dos resultados, seja através de encaminhamento a um médico especializado, ou ao próprio médico que já está acompanhando o paciente, como também outro tipo de tratamento, que poderá ser em conjunto ou não com a medicação, como psicoterapia e/ou reabilitação neuropsicológica,  terapia fonoaudiológica, terapia ocupacional, entre outros tratamentos multidisciplinares, que muitas vezes já são trabalhados em conjunto com a avaliação neuropsicológica, desta forma gerando um relatório multidisciplinar.
A reabilitação Neuropsicológica, será responsável por trabalhar a área cerebral afetada, a fim de reabilitá-la, como o próprio nome já diz.
E iniciando o tema, vamos começar por uma pergunta:

VOCÊ ACREDITA ESTAR COM PROBLEMAS DE MEMÓRIA?

Bem se sua resposta for sim, como faz para lembrar das coisas mais importantes?
  • Lembretes;
  • Alarmes;
  • Agendas.
E qual a importância você dá à sua Atenção?
A ATENÇÃO é uma das mais importantes funções cognitivas, e sabem por que?
  • É a partir da atenção que se inicia a maior parte das atividades no cérebro;
  • Aprender, fazer associações, interpretar, filtrar as informações, tomar decisões, guiar o próprio comportamento, não seria possível sem ter atenção sobre todos estes temas;
  • Do ponto de vista neuropsicológico, a atenção é a base de nossos processos mentais.
No campo da neurociências damos o nome de ATENÇÃO ao conjunto de processos que leva o individuo dar prioridades e responder estímulos determinados que forem relevantes para aquela pessoa (LIMA, 2005)
Então, preste atenção na sua atenção!
  • Quais são os estímulos prioritários para você?
  • Como está sua Atenção hoje? 
TIPOS DE ATENÇÃO 
A atenção não é um mecanismo único, ela é dividida em tipos e subtipos envolvendo diferentes processos sensoriais internos, como participação no resgate de informações guardadas na memória, pensamentos, etc... e também a processos externos.

Uma das primeiras subdivisões da atenção refere-se aos processo voluntário e involuntário:
VOLUNTÁRIO - ou controlado, é intencional, acontece quando nos decidimos para onde dirigir o foco;

INVOLUNTÁRIO - ou automático: é acionado através de estímulos o redor. Exemplo: quando estamos em uma sala de aula, prestando atenção voluntariamente no professor e de repente passa na rua um carro do corpo de bombeiros com a sirene ligada, automaticamente, desviamos a atenção para o som da sirene do lado de fora da sala.

A atenção pode envolver também diferentes órgãos dos sentidos:
VISÃO
AUDIÇÃO
TATO
OLFATO
PALADAR


Outra subdivisão da atenção é a forma como ela é operacionalizada: 

SELETIVA - Concentra estímulos determinados e ignora outros; 
SUSTENTADA ou CONCENTRADA- Quando a atenção seletiva é mantida por um tempo mais prolongado - FOCO 
ALTERNADA - Capacidade e mudar o foco e retomar o foco anterior sem se perder; 
DIVIDIDA - Similar a alternada, mas é quando fazemos duas tarefas de forma simultânea. 
DESENVOLVIMENTO DA ATENÇÃO

Nosso Cérebro não nasce pronto, o desenvolvimento das funções cognitivas acontecem em etapas.

As informações aqui colocadas serve como referência, porém cada indivíduo é único em seu próprio ritmo de desenvolvimento e aprendizagem, mas podemos nos guiar nestas informações para observar possíveis atrasos significativos e assim tratá-los precocemente:

Entre 1 e 2 anos: A criança consegue focalizar em objetos, em sons e em toques; Predomina a atenção involuntária, pára espontaneamente em um único objeto para focalizar durante uma brincadeira lúdica;

Aos 3 anos: Focaliza a atenção em pelo menos 5 minutos durante uma brincadeira lúdica;

Entre 4 e 5 anos: Começa a conseguir eliminar fatores irrelevantes; Focaliza a atenção em pelo menos 10 minutos durante uma brincadeira lúdica;

A partir dos 6 anos: Inicia o comportamento mais seletivo e organizado, com a participação da linguagem.

Agora que já sabemos um pouco sobre essa função cognitiva importante, vamos falar um pouco sobre memória.
MEMÓRIA
A memória NÃO é como uma câmara filmadora, isso é um mito, pois ela é responsável por agregar e filtrar as informações mais importantes.
Por isso, o esquecimento faz parte do processo, ou seja o que é importante é retido, o que não é é retirado.
Mas como nosso cérebro sabe o que é importante? Lembram-se da porta de entrada da atenção? Pois bem, ela é a responsável por filtrar o que deve ou não ficar retido em nossa memória, ou seja, o que não faz sentido por não termos dado a devida atenção, não será armazenado.
A memória não trabalha sozinha, não existe uma unica estrutura cerebral responsável por todo o processo de memorização, ela também é fortemente associada a outros fatores como:
NÍVEL DE CONSCIÊNCIA - estado de consciência ATENÇÃO - importância que damos a determinada coisa; AFETO - nível de sentimento que nos leva a guardar ou não determinado fato ou evento.
LEMBRAM-SE DO EXEMPLO DO CARRO DE BOMBEIROS?
No momento em que nos distraímos com o som da sirene, deixamos de prestar atenção no que estava acontecendo naquele momento, ou seja perdemos aquela informação por uma ruptura no processo de memorização. 

A responsabilidade da memória é reter, re-lembrar as informações do que já aconteceu, do que foi aprendido para ser utilizado posteriormente, sejam fatos, eventos e dados sobre um determinado assunto.
Então podemos dizer que a memória é responsável pela aquisição, formação, conservação e evocação destas informações;
Mas a aquisição está diretamente ligada ao processo atencional, consequentemente à aprendizagem, pois só se registram e gravam os conteúdos aprendidos, assim como só se evoca ou lembra o que foi guardado.

TIPOS DE MEMÓRIA

  • Memória Sensorial- Relacionada aos sentidos

  • Memória de curto prazo - armazena informações importantes por um breve período de tempo, pode durar minutos ou horas, serve para proporcionar continuidade ao nosso sentido de presente;

  • Memória de longo prazo - armazena as informações por um longo período de tempo, estabelece engramas ou traços duradouros, pode durar dias, semanas, anos.

Quem não lembra da Dory do filme Procurando Nemo?
Ela sempre esquecia o que lhe era dito imediatamente. E ao lembrar do filme, quais imagens lhe vem à mente e quais sentimentos surgem?
Geralmente quando algo têm uma representação importante em nossas vidas, de uma época ou de algo agradável ou desagradável aconteceu, ficam marcados em nossa memória. 


Mas tem um tipo de memória, que vamos falar a seguir é é a responsável por trazer esta informação que estava lá guardada, é a MEMÓRIA OPERACIONAL ou MEMÓRIA DE TRABALHO.
A memória operacional ou também chamada de memória de trabalho, é uma função cognitiva que faz parte das funções executivas de nosso cérebro, é a habilidade de sustentar uma informação pelo tempo suficiente para utilizá-la na resolução de um problema, fazer relações de idéias, ou integrar estas informações presentes na memória de longo prazo (COSTA et al, 2016) para conectar a algo que necessitamos trazer, como o exemplo do filme que citamos anteriormente.
Mas a memória de trabalho é mais complexa que isto, há uma memória relacionada associada a duas alças, conforme abaixo demonstramos:

No esquema acima podemos observar que as informações viso-espacial (semânticas) são trabalhadas mais do lado direito do lobo pré frontal, enquanto as informações de comunicação e linguagem são trabalhadas mais no lobo esquerdo, porém ambos os lados são acionados caso seja necessário ou por um volume de tarefas a ser executado ou se o grau de dificuldade for maior.
MEMÓRIA DE LONGO PRAZO
Até aqui falamos de memória de curto prazo, vamos agora falar da memória de longo prazo que significa a habilidade de lembrar eventos e conhecimentos.

A memória de longo prazo reflete uma operação combinando no mínimo duas estratégias utilizada pelo nosso cérebro para adquirir as informações, que aqui vamos tratar de memória de acordo com o conteúdo:
Memória Declarativa ou explicita - é a forma de lembrar fatos e eventos de forma consciente;
Memória não Declarativa ou implícita - é a evocação automática ou inconsciente.



Pense na diferença entre memorizar a data de aniversário de alguns amigos versus aprender a andar de bicicleta. As diversas coisas que aprendemos e lembramos não são processadas sempre no mesmo mecanismo neural


Resumidamente, abaixo segue o esquema da estrutura de nossa memória:

NEUROANATOMIA DA MEMÓRIA



E COMO MELHORAR SUA MEMÓRIA?
Há formas de melhorar nossa memória, algumas dicas que colocarei abaixo ajudam muito:
Mas sabemos que algumas pessoas sofrem com dificuldades para prestar atenção, e pode ser que estas pessoas tenham o que chamamos de TDAH - Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade, que grande parte das crianças e adolescentes estão sendo diagnosticados quando se observa nas escolas dificuldades no aprendizado. Como já falamos aqui, a atenção e a memória são extremamente importantes no processo de aprendizado, e é por isso que este problema vem sendo tratado com muito cuidado pelos médicos, educadores, psicólogos, neuropsicólogos, vale apena abordar rapidamente sobre o tema.
Há 3 categorias, que abordaremos abaixo, e surge na infância e não na fase adulta, mas muitos adultos nunca foram diagnosticados na infância, embora já apresentavam sintomas, e acabam descobrindo o transtorno na fase adulta.
Segue abaixo algumas informações importantes sobre o tema:

COMO AJUDAR?
Primeiro passo e orientar que procure ajuda médica, neurologista,quando adulto, ou neuropediatra, o médico poderá avaliar qual os passos seguintes, que normalmente é indicado para uma avaliação neuropsicológica para se ter certeza que de fato é um TDAH, ou qual categoria se encaixa, que também pode se dividir em níveis diferentes.
A medicação geralmente é indicada, e por ser medicamentos controlados, é importante ter acompanhamento médico com frequência para avaliar os resultados.

Há muito mais o que falar sobre o TDAH, podemos escrever uma publicação somente sobre este tema, mas deixo aqui o link da associação brasileira de Deficit de Atenção, para maiores informações:

https://tdah.org.br/
Associação Brasileira do Déficit de Atenção
Fonte:
Neuropsicologia da memória - Centro Educacional do Hospital Albert Einstein
Neuropsicologia - Funções Cognitivas - Faculdade Unyleya

sábado, 6 de abril de 2019

O QUE É A NEUROPSICOLOGIA?

Nos últimos anos vem crescendo o numero de estudos das disciplinas dentro da neurociência, uma destas disciplinas é a neuropsicologia. Segundo alguns autores a neuropsicologia é a ciência que estuda o comportamento das disfunções cerebrais na sua relação entre estrutura e desempenho, ou seja, o que é esperado em uma função cerebral e o que de fato acontece. Em outras palavras, também podemos dizer que a neuropsicologia é uma combinação dos elementos da psicologia, neurologia, neuroanatomia, neuroquímica, neurofisiologia, ou seja, é a correlação das alterações do cérebro com mudanças nas funções comportamentais dos indivíduos.

O que seria a Avaliação neuropsicológica?

Se a neuropsicologia estuda a relação das funções cerebrais e seu comportamento, é importante saber quais funções podem estar afetando um determinado comportamento, e para isso é necessário que cada função seja cuidadosamente avaliada.
Como não há um exame que determine estas funções como um RX, podemos avaliar através de instrumentos que irão registrar o desempenho que cada função exerce de acordo com as respostas desejadas.
Isso é o que chamamos de avaliação neuropsicológica, que tem por objetivo principal realizar um diagnóstico diferencial para estabelecer se há ou não algum comprometimento nas funções cognitivas, e ou seja, nas funções  relacionadas a todos os processos mentais realizados pelo ser humano, como o ato de perceber, interpretar, associar, aprender e pensar. Estão diretamente relacionados aos estímulos externos captados pelo s 5 sentidos, ou pelos estímulos internos que são as emoções e sensações.
As funções cognitivas referem-se a atenção, memória,  velocidade de processamento visuo espacial, linguagem, e funções executivas, esta ultima responsável por todos os processos mentais ligados ao controle, monitoramento e regulações de nossas ações, pensamentos e emoções.
Com todas estas informações é possível demonstrar a importância desta disciplina e os motivos que cada vez mais são solicitadas avaliações neuropsicológicas, para determinar um diagnóstico suspeito relacionado aos diversos transtornos que temos conhecimento atualmente, e tratar-lo adequadamente.
 
REABILITAÇÃO COGNITIVA E NEUROPSICOLÓGICA
A reabilitação cognitiva e neuropsicológica vai ser necessária em todas as situações que após um bom processo de avaliação neuropsicológica se perceba quais regiões não estão desempenhando adequadamente suas funções, isto é, estão afetadas e comprometidas por qualquer fator, interno ou externo, e que dentro do processo de avaliação, seja identificado a possibilidade de reabilitação.

Geralmente são muito utilizadas em pessoas que sofreram algum tipo de traumatismo cranio-encefálico, pessoas que sofreram AVC, portadores de doenças neurodegenerativas ou demências, e servem para estimular as áreas afetadas e assim reabilitá-las.
Normalmente este tipo de reabilitação sera efetuada em conjunto com uma equipe multidisciplinar, ou seja, poderá ter a participação de 1 ou mais profissionais da área da saúde como: fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeutas, etc...

NEUROPLASTICIDADE - REORGANIZAÇÃO CEREBRAL
É impossível falar de reabilitação cognitiva e neuropsicológica, sem falar da Neuroplasticidade, que trata-se da capacidade do cérebro reorganizar em sua estrutura (configuração sináptica), ou em sua funcionalidade (modificação do comportamento), com a readaptação de suas funcionalidades, através  da reformulação das conexões cerebrais de acordo com as novas experiências, percepções e ações de comportamento do individuo tornando-o mais eficaz.

Até bem pouco tempo, no campo da neurociência acreditava-se que o cérebro era um órgão estático, ou seja, se houvesse algum tipo de perda de função, seja por doença ou por trauma, acreditava-se que seria irrecuperável. 
Atualmente, após vários estudos, já sabemos que o Sistema Nervoso Central pode sim se recuperar, isto acontece porque ele é capaz de se modificar de acordo com o aprendizado e experiencias adquiridas ao longo da vida. Mas sabe-se que o grau neural destas modificações variam de acordo com a idade do individuo, ou seja, quanto mais jovem maiores as chances de recuperação, e desde o período embrionário é possível executar mudanças estruturais.

Por isso quando falamos de reabilitação, estamos falando de aprendizagem, ou aprender novamente o que fazia antes, de forma diferente. 
Já é de conhecimento cientifico que as regiões corticais que não foram prejudicadas em uma lesão, podem assumir funções das regiões que foram afetadas em uma outra área próxima, dependendo das influencias ambientais.
O cérebro é capaz de se reorganizar, e este conhecimento é imprescindível para a recuperação cognitiva e funcional do individuo.

Assista ao vídeo abaixo, bem ilustrativo e resume bem tudo o que coloquei aqui.



Fonte:
Material do curso de Neuropsicologia: Avaliação psicológica, Funções Cognitivas e Reabilitação Neuropsicológicas da faculdade Unileya- 2018

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA


DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA

Novos tempos, novos costumes e novas dependências.  E como lidar com isso?

Redes sociais, jogos eletrônicos, a forma de trabalhar e de se comunicar atualmente, é muito diferente de tempos atrás. Todos, desde os mais jovens aos mais velhos precisam se adaptar a esse novo conceito de vida, e que é de fato inovador e porque não dizer, de extrema importância. Mas aquilo que deveria ser um aliado, um facilitador para nossas vidas, vem trazendo grandes preocupações, pois a dependência, o vicio que é gerado pelo excesso de necessidade das pessoas estarem o tempo todo conectadas, virou um grande problema, seja nas crianças ou nos adultos.

E como podemos identificar se existe uma dependência ou uma necessidade do uso da internet, tendo em vista que a cada dia temos mais trabalho e coisas a fazer na internet?

De fato, atualmente as pessoas usam a internet para resolver quase tudo em suas vidas, e assim como no surgimento de equipamentos como a calculadora por exemplo, que criou uma facilidade em resolver cálculos  matemáticos, as pessoas acabaram deixando de fazer contas de cabeça ou no papel e somente utilizam de suas calculadoras, cada vez mais sofisticadas, mesmo para resolver as questões aritméticas mais simples. É possível notar que agora muitas pessoas tem dificuldade em resolver cálculos aritméticos simples, sem uso das calculadoras, ou seja, estamos cada vez mais dependentes deste aparelhinhos. 
E assim também é com a internet, estamos cada vez mais reduzindo nossa capacidade de pensar e memorizar, permitindo que a máquina nos traga as respostas que precisamos rapidamente, e assim vamos criando uma dependência cada vez maior, e tudo que cria facilidade e é bom, dá prazer e pode levar ao vício.

Aqui vamos abordar a questão da dependência tecnológica relacionada ao vício, tanto para as atividades diárias, redes sociais e principalmente para os jogos eletrônicos que tanto fascinam as crianças e também os adultos, além das redes sociais, cada dia mais próximo de nós.




Como qualquer dependência, tudo começa com o impulso e o desejo de fazer algo que leva ao prazer  e a um comprometimento do estado psicológico de forma repetitiva e impulsiva.
Mas podemos utilizar a internet a nosso favor, sem criar uma dependência, por isso é importante iniciar este nosso assunto comentando sobre a dependência já na infância, pois muitas vezes incentivadas pelos pais, mesmo sem perceberem.

Há atualmente uma preocupação em torno dos pediatras e neuropediatras no que tange os transtornos de dependência infantil pela internet, e com isso algumas propostas estão sendo estudadas pelas politicas de saúde mental infantil com a finalidade de proteger a integridade e o bem estar neurológico das crianças, tendo em vista que é na infância onde ocorre o maior desenvolvimento neurológico do ser humano, e esta dependência pode gerar mudanças estruturais nas regiões neurais associadas ao vício que podem prejudicar o desenvolvimento destas crianças. Por isso, devem os pais e responsáveis serem agentes de controle, para evitar que isto aconteça, mas não é muito fácil nos dias de hoje em que todos parecem ser iguais.



Chamado de TRANSTORNO DE DEPENDÊNCIA DE TELAS - "Comportamento Aditivo", uma nomenclatura utilizada para definir o numero cada vez maior de crianças envolvidas em diferentes atividades utilizando as telas de computador e celular ou tablets de maneira dependente e problemática, principalmente quando relacionadas aos jogos e videos.  
Percebemos que desde bebes os pais já incentivam seus filhos a ficarem atentos assistindo a filmes e  joguinhos infantis para distraí-los enquanto fazem outras tarefas, permitindo que a criança fique até por horas olhando a telinha se distraindo, este comportamento já começa a gerar uma dependência e desejo por querer mais e mais. 

Para que se utilize estas ferramentas de forma saudável, o ideal é não começar tão cedo assim, e também estimular a criança em outras atividades lúdicas com outros brinquedos educativos que a farão pensar e se desenvolver adequadamente. 
Sabemos que no mundo atual, não é possível excluir as crianças destas atividades, mas tudo deve ser feito de forma comedida, sem exageros, mas sabemos que as vezes se torna fácil e cômodo para os pais e cuidadores permitir que passem muito tempo em contato com as telinhas de celular e tablets, e não fazem ideia que podem estar prejudicando as crianças, por não saberem das patologias que estão sendo geradas pelo excesso de uso de tecnologias comprometendo o funcionamento geral do indivíduo, conforme constam do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mentais (DSM-5), pois estudos afirmam que o transtorno do jogo pela internet de uso persistente e recorrente, leva a prejuízos clinicamente significativos ou a sofrimentos conforme indicado por 5 ou mais dos sintomas descritos abaixo em um período de 12 meses:
  1. Preocupação com os jogos pela internet,  ou  uso das redes sociais de forma constante e excessiva;
  2. Sintomas de abstinência, principalmente quando são impossibilitados de utilizar a internet, demostrando excessiva irritabilidade, ansiedade ou tristeza;
  3. Tolerância -  Necessidade de ficar cada vez mais tempo jogando,ou utilizando as redes sociais;
  4. Tentativas fracassadas de controlar a participação nos jogos de internet ou visualização nas redes sociais;
  5. Perda de interesse por outros passatempo como esportes, televisão, atividades escolares, sair com amigos, etc...;
  6. Uso continuado, apesar de saber as consequências, fora de controle;
  7. Tenta enganar os adultos, ou outras pessoas, sobre o tempo que utiliza jogando pela internet, ou utilizando as redes sociais;
  8. Uso dos jogos para melhorar o humor, redes sociais para conversar com pessoas, ou desculpa para se sentir melhor;
  9. Colocar em risco, amizades, relacionamentos, perda de compromissos importantes, aulas, provas, emprego.
  10. Percepção de ausência do mundo real.
FATORES DE RISCO

Os fatores de risco estão associados a desenvolvimento de alguns transtornos biopsicossocial relacionados aos padrões do uso da Internet: 
  • Fatores psicopatológicos: Desenvolvimento de TDAH - (Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade ), desenvolvimento de transtornos depressivos e ansiosos, fobia social, possibilita o uso de substâncias químicas, desenvolvimento de TOC - Transtorno obsessivo compulsivo) - (Vondráckóva & Gabhrelik 2016);
  • Características de personalidade: elevada procura por novidades, baixa dependência por recompensas, introversão, reduzida consciencialidade e agradabilidade baixa, estabilidade emocional e hostilidade, baixo nível de controle e auto-regulação, pouca empatia;
  • Desenvolvimento de Padrões de Internet: Grande número de horas gastas na internet, não valorizando o seu próprio tempo para se autodesenvolver, necessidade de manter-se muitas horas on-line, perda de sono;
  • Fatores sócio demográficos: Não vê vantagens em relacionamentos sociais (namoro, sexo, família);
  • Alto grau de estresse, solidão, aceitação social.
COMO TRATAR

Todo inicio de tratamento está relacionado à conscientização do problema, este será o primeiro passo, tanto para crianças, que deve ser identificado o problema principalmente pelos pais, como para os adultos. 
No caso das crianças, será necessário um empenho importante do adulto, cuidador, professor ou orientador/terapeuta, todos devem concentrar no desenvolvimento das habilidades específicas citadas mais abaixo, e observar o comportamento de forma constante para fazer uma re-educação.


As habilidades específicas devem ser desenvolvidas identificando as questões relacionadas a:
  • Uso da internet - com apoio familiar, orientadores, amigos e psicoterapeuta:
    • Redução da expectativa de resultados positivos no uso da Internet;
    • Desenvolvimento do auto-controle;
    • Desenvolvimento da auto-eficácia ou abstinência de dependência online;
    • Capacidade de identificar os pensamentos desadaptativos relacionadas ao comportamento aditivo (dependência das telas), gerando mudanças comportamentais no ato que surgir este sentimento - mudança de foco;
  • Enfrentamento do Estresse e Emoções - com apoio do psicoterapeuta:
    • Desenvolver estratégias individuais de enfrentamento;
    • Melhorar a capacidade de regular e processar suas emoções;
    • Reduzir sentimentos de hostilidade;
    • Encorajamento de traços positivos de personalidade;
    • Melhorar a autoestima;
  • Situações Interpessoais - com apoio familiar e psicoterapia, grupo de convívio:
    • Reduzir a sensibilidade interpessoal - desconforto da proximidade social;
    • Reforço da inteligência emocional;
    • Fortalecimento das competências sociais para reforçar as regras de justiça e tolerância dentro de seus grupos sociais;
    • Realizar atividades em grupo de tempo livre com amigos e familiares;
  • Uso do tempo livre - controle do tempo- com apoio familiar e psicoterapeuta e orientadores:
    • Estabelecer uma rotina diária;
    • Manter um horário para dormir e tempo de sono;
    • Incentivar a participação em atividades saudáveis e criativas, exploratórias e empolgantes;


APOIO FAMILIAR

A família sempre será o principal ponto de apoio destas pessoas, que também precisarão perceber o seu papel no tratamento de quem está afetado, além de poder também se perceber neste contexto.
A presença de alguns fatores relacionado aos estilos parentais, já comentado em outra postagem onde abordo como interagir com seu filho, podem facilitar o desenvolvimento destes vícios,  por isso tratar os familiares extremamente importante dentro do processo psicoterápico a fim de permitir que estes se sintam fortalecidos para apoiar seu filho ou parente adoecido.
Estes cuidados devem ser concentrados em 2 habilidades específicas:
  1. Encorajar os relacionamentos afetivos:
    • Melhorar a comunicação;
    • Avaliar o tempo que dedicam a família;
    • Ser empático, ou seja, perceber a necessidade dos filhos;
    • Melhorar a saúde mental dos pais, que muitas vezes também já estão afetados pelos mesmos problemas;
  2. Competências relacionadas a monitoração e utilização da internet e como entender a necessidade dos filhos no uso destas ferramentas:
    • Conscientização do uso e necessidade;
    • Monitoramento o uso da internet pela criança/adolescente;
    • Estabelecer regras claras que regulam o uso e os conteúdos permitidos para as atividades on-line;
    • Mediar o uso, ou seja participar na forma de discussões em conjunto com a criança ou jovem, e mostrar os motivos das restrições do uso para que sejam bem entendidas;
    • Adotar normas adaptativas de uso da internet, e adesão consistente a elas entre os pais;
    • Dar o exemplo.


DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA NAS EMPRESAS

A dependência tecnológica pode se estender no ambiente de trabalho, tanto por incentivo das próprias empresas, como por um vicio já adquirido do funcionário. Em empresas com conexão com a Internet aberta, recomenda-se apoiar a responsabilidade de uso adequado das informações para apoio do trabalho, com integridade e ética dos funcionários
Mas é importante que os gestores percebam os primeiros sinais da dependência tecnológica e apoiem a busca de ajuda, além disso, é importante que as empresas organizem seminários e palestras educacionais para abordar o tema, além de criar sistemas de monitoramento de seus empregados.(Vondrácková & Gabrhielik)

A IMPORTÂNCIA DA INTERNET

Não é possível mais voltar no tempo. A internet fez a conexão do mundo em tempo real, hoje sabemos o que acontece do outro lado do mundo quase que imediatamente ao ocorrido, não dá para dizer que isto é ruim, muito pelo contrario, a tecnologia está ai para ajudar a todos no desenvolvimento de seu trabalho, estudos e até na diversão.
As crianças já nascem tecnológicas, os pais de hoje já são tecnológicos, e como evitar isso? Não é isso que é importante, o que é importante é se cuidar para que toda essa facilidade não faça o ser humano regredir em seu potencial de conectividade consigo mesmo e com as pessoas, evitar que as pessoas sejam unicamente virtuais, robotizadas e sem emoção, este é o grande papel da nova sociedade que está surgindo.


Fonte:
Dependência Tecnológica - Transtorno do Jogo pela Internet Estratégias de Prevenção e Intervenção
Regina Maria Fernandes Lopes
Roberta Fernandes Lopes do Nascimento
Fernanda Fernandes Lopes
Paulo Roberto de Oliveira Lopes